Ex-policial Ronnie Lessa confessa ter assassinado Marielle para ser chefe de milícia

Em mais um desdobramento nas investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco, Ronnie Lessa, um dos acusados do crime, oferece detalhes sobre o esquema que culminou nesse trágico episódio. Lessa, ex-policial militar, foi preso em março de 2019, mas só recentemente decidiu colaborar com a justiça.

Segundo Ronnie Lessa, a proposta para assassinar Marielle veio acompanhada de uma promessa de recompensa financeira substancial. Os irmãos Brazão, supostamente envolvidos no planejamento, teriam oferecido a Lessa e seu comparsa, conhecido como Macalé, um loteamento clandestino na Zona Oeste do Rio, cujo valor poderia superar 20 milhões de dólares.

Lessa descreve que as negociações não eram simples transações, mas sim ofertas de sociedade em empreendimentos criminosos significativos. Ele cita que os irmãos Brazão enxergavam em Marielle um obstáculo para seus planos mais amplos de dominação territorial, o que teria sido um dos motivos para o seu assassinato planejado.

Acusações e defesas

A defesa de Domingos Brazão nega veementemente as acusações, afirmando que não há provas concretas que conectem os irmãos ao crime. Os advogados de Chiquinho Brazão também repudiam as declarações de Lessa, atribuindo-as a uma tentativa desesperada do acusado de reduzir sua pena por meio de delações questionáveis.

O papel da polícia

Ronnie Lessa não somente apontou os supostos mandantes, como também revelou o envolvimento de figuras-chave da polícia do Rio na proteção dos interesses dos Brazão. Ele afirmou que Rivaldo Barbosa, então chefe da Delegacia de Homicídios, teria recebido pagamentos para desviar o foco das investigações, uma acusação que a defesa de Barbosa refuta categoricamente.

A prisão dos executores do crime, incluindo Lessa, ocorreu devido à intensa pressão da mídia e da sociedade civil, que exigia justiça. A investigação, no entanto, parece ter sido manipulada desde suas etapas iniciais, conforme indicam os relatos de Lessa e os registros da Polícia Federal.

  • Ronnie Lessa: Preso e colaborando com a justiça desde 2019.
  • Macalé: Ex-PM e suposto comparsa de Lessa, assassinado em 2021.
  • Domingos e Chiquinho Brazão: Acusados por Lessa, negam envolvimento.
  • Rivaldo Barbosa: Acusado de sabotar as investigações, nega as acusações.
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