Terra passou de ‘raspão’ próximo a um asteroide descoberto há dois dias

Apesar do susto, nosso planeta não corre mais perigo, pelo menos não neste século

Na manhã do dia 14 de maio deste ano, um pequeno asteroide passou muito próximo do nosso planeta, dois dias depois de ter sido descoberto pelos astrônomos. Batizado de 2024 JN16, o objeto rochoso tem menos de quatro metros de largura, similar ao tamanho de um carro, por exemplo.

Com o episódio, é possível afirmar que a rocha espacial passou “raspando” pela Terra, visto que a menor distância assumida entre os dois corpos foi de apenas 18,5 mil km. Segundo o Virtual Telescope Project (Projeto Telescópio Virtual), um serviço prestado pelo Observatório Astronômico Bellatrix, com sede em Roma, na Itália, isso aconteceu às 6h50 (pelo horário de Brasília).

Como informado há pouco, o asteroide foi descoberto dois dias antes pelo astrônomo amador ucraniano Gennadiy Borisov (o mesmo que descobriu o primeiro cometa interestelar conhecido, 2I/Borisov, em 2019). O objeto espacial recém-descoberto pertence ao grupo de asteroides Apollo, cujas órbitas se cruzam com o nosso planeta.

Um asteroide famoso desse grupo foi o Chelyabinsk, que era tão grande quanto um prédio de seis andares quando despencou sobre a cidade russa de Chelyabinsk em 2013, causando uma explosão mais forte do que uma explosão nuclear. Com as órbitas desses objetos possibilitando colisões com a Terra e outros asteroides, os astrônomos acreditam que eles sobrevivam por períodos bem curtos no Sistema Solar — algo em torno de apenas 10 milhões de anos ou mais.

Durante a sua passagem pelo nosso planeta, o 2024 JN16 estava bem dentro da órbita da Lua e meio distante da concha dos satélites geoestacionários, que circundam a Terra numa altitude de 35.785 km.

Longe do perigo

Ao voar tão próximo da Terra, o asteroide parecia brilhar na magnitude 13 em seu ponto mais luminoso e, por conta disso, era visível por telescópios. Atualmente, ele se encontra a mais de 300 mil km do nosso planeta, na constelação de Serperns.

Só em 2024, os astrônomos encontraram mais de 40 asteroides cujos caminhos os aproximam mais da Terra do que a órbita da Lua, segundo o portal Watchers. Inclusive, mais cinco pedras espaciais se aproximaram da Terra, mas com segura, entre os dias 15 e 16 de maio, de acordo com as estimativas do Asteroid Watch, um painel de controle de asteroides e cometas próximos ao planeta gerenciado pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da NASA.

Problemas com a luminosidade do Sol

Após o episódio ocorrido na Rússia, as agências espaciais intensificaram os seus esforços para mapear os cosmos, buscando identificar objetos próximos à Terra (NEOs). A Agência Espacial Europeia (ESA) estima que objetos do tamanho do Chelyabinsk rompem a atmosfera a cada meio século ou mais.

Apesar de ter identificado mais de 33 mil NEOs, atualmente, nenhum representa uma ameaça para o próximo século. Contudo, o verdadeiro perigo reside no desconhecido. Neste caso, há inúmeros asteroides em trajetórias ocultas, capazes de destruir uma cidade ou até mesmo o planeta inteiro.

Encontrar asteroides próximos do Sol é uma tarefa árdua, visto que os telescópios terrestres têm limitações devido ao brilho solar e às breves janelas crepusculares disponíveis para a observação. Porém, nos últimos anos, os telescópios espaciais têm um desempenho melhor, pois podem usar imagens infravermelhas para detectar o calor dos asteroides, tornando-os visíveis até mesmo no escuro.

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